O Brasil é um país em crescimento econômico. Faz parte do seleto grupo de países “emergentes”, ou seja, que tem possibilidade de, num futuro próximo, ser uma potência mundial. Para se chegar a tanto, foi preciso um longo caminho de construção da economia que temos hoje. Nos primórdios do comércio nacional eram realizadas trocas (escambo) de mercadorias. Conforme o Brasil, e também a sua economia, foram crescendo, foi necessária uma organização maior.

Tendo essa necessidade e com o país em expansão foi decretada a vinda da moeda portuguesa para ser a oficial de sua colônia. Como a moeda vinha do reino português, e tudo que vinha do rei era considerado “real”, a moeda herdou essa definição e era chamada de “Real” (ou réis, como era mais considerado).

O real durou mais de 400 anos, até que foi substituído pelo Cruzeiro. A mudança foi motivada pela crescente desvalorização dessa moeda. O Cruzeiro foi importante para a história brasileira, já que esteve em circulação nacional por três vezes, e mais duas moedas transitórias, levaram o nome de "Cruzeiro".

Depois da “fase Cruzeiro” foi a vez do Plano no Cruzado entrar em ação. O governo da época era de José Sarney como Presidente. Por conta dos seguidos reajustes de preço nos produtos dos estabelecimentos comerciais, houve um movimento dos “Fiscais do Sarney”. Ele consistia em que qualquer cidadão que visse alguma alteração nos preços comerciais poderia denunciar, causando, uma punição a tal estabelecimento. A troca de preços era proibida porque umas das medidas do plano Cruzado para conter a inflação era o congelamento de preços.

Após mais uma tentativa de conter a inflação, que causou todas as mudanças de moeda do Brasil, e mais um tentativa de ter o Cruzeiro com moeda oficial, nasceu o Plano Real. Foi idealizado no governo de Itamar Franco, por Fernando Henrique Cardoso, então Ministro da Fazenda. O real entrou em vigor em 1994, mesmo ano em que Fernando Henrique Cardoso foi eleito Presidente do Brasil. O Plano Real foi um sucesso imediato contra a inflação e deu a oportunidade de ter uma segurança econômica.

Durante sua história, o Brasil teve várias moedas diferentes e um problema em comum em todas elas: a inflação. A desvalorização de cada uma sempre causou problemas à economia do Brasil, até que o Real se firmou como moeda e, de lá até hoje, tem conseguido manter o “monstro” da inflação distante do país.

Como Surgiu o Real?

O Real foi a primeira moeda brasileira. Vinha diretamente de Portugal, já que o Brasil ainda era uma colônia portuguesa. Daí o nome “real”: como vindo do rei de Portugal, e tudo que vinha do rei era “real”, o nome acabou se tornando definitivo para a moeda. Teve uma circulação de, aproximadamente, 400 anos, até ser substituída pelo Cruzeiro, em 1942.

Essa unidade financeira é mais conhecida pelo plural, inventado pelos brasileiros: diferente da nossa atual moeda, em que o plural de “Real “ são “Reais”, o “Real”' antigo tinha o plural de “Réis”. Dos réis veio uma expressão popularmente usada até hoje: o “merréis” que significa alguma quantia de dinheiro.

Ao longo da circulação do Real foram criadas várias expressões para determinar alguma quantidade de dinheiro: um conto de réis, por exemplo, equivalia a 1 milhão de Réis. Um vintém eram 20 réis. Um tostão era considerado 80 réis no período Colonial e Imperial e era também uma moeda “especial” que circulou entre 1917 e 1932. A pataca eram 320 Réis e um patacão tinha o triplo do valor de uma pataca: 960 Réis. Ainda havia a expressão cruzado, que podia valer 400 ou 480 réis, a dobra, equivalente a 12.800 Réis e o dobrão ou 20.000 Réis.

A moeda nasceu quando a economia brasileira ainda era pouco desenvolvida. Conforme ela foi crescendo, começaram a aparecer algumas complicações no Real. A principal delas foi um mal que iria perseguir a economia nacional ainda por muitos anos: a inflação. Num determinado período da história, durante o Governo Provisório (1889-1891), foi dada autorização a alguns bancos para que eles pudessem produzir cédulas do Real. Esse espaço de tempo também foi chamado de “Pluralidade Bancária”. Com a produção desordenada de dinheiro a inflação assolou, pela primeira vez de muitas que viriam, o Brasil.

Com muito dinheiro em circulação, os preços também subiam desordenadamente, o que causou uma desvalorização da moeda. Para resolver esse problema foi feita uma redefinição de valores em que 1000 Réis passariam a valer 1 Real. A técnica de “cortar 3 zeros” para abaixar a inflação foi seguido durante muitas gerações e moedas depois do Real.

Os valores das moedas eram de: 100, 200, 300, 400, 1.000, 2.000, 4.000. Já nas cédulas, existiram dos valores de: 500, 1.000, 2.000, 5.000, 10.000, 20.000, 50.000, 100.000, 200.000, 500.000 e a de um conto de réis, que era equivalente a 1.000.000 réis

Cruzeiro

O Cruzeiro foi a segunda moeda do Brasil. Substituiu o primeiro plano “Real” em 1 de novembro de 1942 e durou até 12 de fevereiro 1967. A razão para o Cruzeiro acontecer foi a inflação que já estava em um nível bastante avançado e deixava o “Real” cada vez mais desvalorizado. A mesma inflação decretou o fim do cruzeiro em 1967 para virar “Cruzeiro Novo”. O Cruzeiro está intimamente ligado a toda história do Brasil, já que esteve em circulação por três vezes, sendo que ainda houve o “Cruzeiro Real” e o Cruzeiro Novo”, ambas moedas de transição.

Outra função do Cruzeiro foi de tentar unificar os tipos de cédulas que circulavam no Brasil. Com o sistema de Réis, eram 56 espécies de cédulas em circulação. O Cruzeiro acabaria com essa variedade indesejada e manter sua produção por conta da Casa da Moeda do Brasil.

O nome veio da sugestão de Américo Lobo, em 1891, para que substituísse o “Real, já que Américo pensava nesse nome como “uma herança portuguesa indesejável”. Teve inicio oficial instituído pelo Decreto-lei nº 4.791. Uma peculiaridade: o Cruzeiro foi o primeiro que trouxe os centavos, unidade de valor menor que as cédulas. Na época da transição dos Réis para o Cruzeiro, foi feito a conversão de 1.000 Réis equivalente a 1 Cruzeiro, uma forma de valorizar essa nova moeda. O Cruzeiro foi também a primeira moeda a ser emitida pela Casa da Moeda do Brasil, em 1961.

Os valores disponíveis para o Cruzeiro foram, inicialmente de cédulas de 10, 20, 50, 100, 200, 500 e 1.000, devido à Segunda Guerra Mundial ter afetado também o Brasil (já que, em 1942, o Brasil se uniu oficialmente aos Estados Unidos e países dos Aliados). Posteriormente, foram lançadas cédulas com valor de 5.000 e 10.000 por conta da desvalorização que a moeda já estava sofrendo. A guerra trouxe gastos para o Brasil e fez com que cédula de 1 mil-réis fosse utilizada para representar o valor de 1 cruzeiro. Outra consequência dessa guerra foi a criação de cédulas no valor de 1, 2 e 5 cruzeiros. Isso porque as produção de moedas, pela falta de metal (estava sendo investido na guerra), ficou comprometida.

Já as moedas, os centavos, foram produzidas com os valores de: 0,10 - 0,20 - 0,50 centavos e 1,00/2,00 e 50,00 Cruzeiros.

CRUZEIRO NOVO

Com a frequente desvalorização do Cruzeiro, foi necessário, assim como foi feito com o Real, criar um novo padrão monetário que devolvesse valor à economia brasileira. Entrou em circulação no dia 13 de fevereiro de 1967 e saiu de circulação no dia 14 de maio de 1970, para ser substituído por, novamente, pelo Cruzeiro. Era uma moeda de caráter transitório e desde o seu início, já estava estabelecido que, posteriormente, o nome 'Cruzeiro” voltaria.

A transição do Cruzeiro para o Cruzeiro Novo era de 1.000 Cruzeiro para 1 Cruzeiro Novo. As cédulas do antigo padrão foram aproveitadas e fez com que o Cruzeiro Novo entrasse para a história brasileira como único padrão financeiro que não teve notas próprias. As notas do Cruzeiro então foram carimbadas e usadas nesse período.

CRUZEIRO

O Cruzeiro voltou a vigorar em em 15 de maio 1970 e só iria sair em 28 de fevereiro de 1986. Não, necessariamente, uma nova moeda, mas sim uma fase final da reforma que começou com o “Cruzeiro Novo”. Essa transição, ao contrário das outras mudanças econômicas, não houve a conversão de 1.000 para 1. Um Cruzeiro Novo foi equivalente a um Cruzeiro. As moedas desse plano perderam seu valor oficialmente em 1987.

O Cruzeiro teve fim, mais uma vez, em 1986, para ser substituído pelo Cruzado. A razão para essa nova mudança foi novamente a inflação. As cédulas e moedas do Cruzeiro foram divididas em três fases:a 1º família, 2º família e a Pré-cruzado(que já antecedia o plano seguinte).

CRUZEIRO

Uma nova moeda voltou a circular no Brasil depois do Cruzado. Novamente pelo efeito da inflação, uma moeda caiu e foi preciso “criar” outra. A escolha pelo nome antigo se deu para que se evitassem problemas judiciais, como os ocorridos no plano Cruzado. Essa mudança ocorreu por meio do “Plano Collor”. Esse plano foi um conjunto de medidas econômicas que visavam atacar a inflação.

Entre outras medidas o Plano Collor congelava os valores de caderneta de poupança e mudava a moeda oficial para o Cruzeiro. Seu início foi em 1990 e foi substituído em 1994 pelo Plano Real. Novamente pela inflação, o Cruzeiro teve de ser extinto para a vinda de uma nova moeda. Dessa vez, a conversão não seria feita na proporção de 1 para 1000, mas sim de: 1 para 2750.

Cruzado

Foi mais que uma moeda. O Plano Cruzado foi um conjunto de medidas que buscava resgatar o valor e a credibilidade da moeda brasileira e, acima de tudo, conter a alta inflação presente na época. Foi tomado no mandato de José Sarney (1985-1990) com Dilson Funaro como Ministro da Fazenda. O plano foi lançado em 28 de fevereiro de 1986 com o Decreto-Lei nº 2.283. Seus autores foram: Dilson Funaro, João Sayad, Edmar Bacha, Persio Arida e Lara Resende. A moeda que seria adotada era o Cruzado, assim, substituiria a moeda da época, o Cruzeiro.

A principal motivação para a decisão de substituir o Cruzeiro pelo Cruzado foi tomada, principalmente, pela inflação que estava cada vez mais fora de controle. A primeira medida para tentar sanar o problema foi essa conversão de moedas em que 1 Cruzado equivaleria a 1000 Cruzeiros. Outra medida, também viabilizando conter a inflação, foi o congelamento de todos os preços por um período de um ano. Os preços nos produtos em 27 de fevereiro de 1986 seriam mantidos por um ano. Os próprios cidadãos faziam essa fiscalização e chegavam a combater estabelecimentos que aumentassem o preço.

Além das medidas já citadas, ainda foi feita a suspensão da chamada da correção monetária para todos os tipos de pagamentos, adiantamento dos ajustes salariais e uma medida conhecida como “gatilho salarial” que obrigaria um ajuste salarial sempre que a inflação acumulada pelo IPCA ultrapassasse 20%. Todas essas foram medidas emergenciais, prioritárias, buscando resolver os problemas econômicos do país em curto prazo. No entanto, o Plano Cruzado teve mais mudanças para buscar resolver os tais problemas. De fato, os primeiros meses foram de controle da inflação. Principalmente pela medida de congelamento de preços.

Outras mediadas que foram tomadas com soluções de longo prazo, ou seja, para manter o sucesso dos primeiros meses de plano. Entre essas medidas “ menos emergenciais”estão: o congelamento da Taxa de Câmbio (1 Dólar era equivalente a 13,84 Cruzados), criação de uma tabela de conversão para transformar valores de dívidas no antigo plano para o novo, dar uma quantia mensal de dinheiro para pessoas desempregadas, desde que, esse desemprego fosse causado por uma demissão sem justa causa ou por fechamento de alguma empresa e outras medidas econômicas.

Apesar do sucesso inicial do Cruzado, o plano acabou não dando certo, sendo mais um fracasso nas seguidas tentativas da época de controlar a inflação. O que aconteceu foi que, com o decorrer do tempo, começou a faltar mercadoria. Isso porque alguns produtos, na data do congelamento, estavam com um preço desproporcional ao de mercado. Baseado nisso, muitos produtores e empresários deixaram de vender seus produtos. Isso juntamente ao aumento do salário (o que estimularia o consumo) acarretou numa grande falta de abastecimento no país. Outro possível fator que levou o Cruzado ao fracasso foi o fato de, por ter sido numa época pré-eleições, era um plano com um forte apelo popular, mas sem consistência.

O resultado foi que, no final de 1986, a inflação já voltava a ser um problema na vida dos brasileiros. O plano Cruzado tinha fracassado. Um fruto dessa falida tentativa de passar pela inflação são muitos processos, por parte de cidadãos, contra bancos e o governo, buscando ter um pagamento pela perda sofrida nessa época.

CRUZADO NOVO

Tentando reverter a situação de fiasco do Cruzado, foi feito o Cruzado Novo. A moeda fazia parte do “Plano Verão”, que teve início em 16 de janeiro de 1989. O presidente do Brasil dessa época ainda era José Sarney e o Ministro da Fazenda era Maílson Ferreira da Nóbrega.

O plano trazia, basicamente, três medidas, buscando frear crise inflacionária: mudava o rendimento das cadernetas, insistia no congelamento dos preços e criação da moeda Cruzeiro Novo. A medida de conversão seguiu o padrão das outras moedas: 1000 Cruzados equivaliam a 1 Cruzado Novo.

As cédulas usadas para o Cruzeiro novo envolviam três do antigo padrão (Cruzeiro), assim como as cédulas próprias desse modela foram usadas no plano seguinte ( Cruzeiro). As notas de Cruzado Novo tinham os valores de 50-100-500 sendo que, em uma edição comemorativa, havia uma cédula de valor de 200 Cruzados Novos. As notas de menor valor ( 1-5-10) eram as aproveitadas do Plano Cruzado. As moedas já eram de valor : 0,01 – 0,05 – 0,10 – 0,50 – 1,00.

O Plano, assim como seu antecessor, foi um fracasso. Além de não conseguir lidar com a inflação, foi o responsável por grande alterações em valores de cadernetas da época.

Real

O Plano Real foi iniciado oficialmente em 27 de fevereiro de 1994, com a Medida Provisória nº 434. O Plano foi precedido de uma série de planos que tinham um objetivo em comum: conter os seguidos aumentos da inflação. O Real foi o plano que conseguiu o tal feito e está em circulação até os nossos dias. Foi lançado no governo de Itamar Franco, sendo que, o Ministro da Fazenda era Fernando Henrique Cardoso. Um detalhe é que o mesmo Fernando Henrique Cardoso seria eleito, ainda no primeiro turno, Presidente do Brasil sucessor de Itamar Franco. O candidato à oposição na época foi Luís Inácio Lula da Silva.

O Brasil tinha, em 1990, como moeda de circulação oficial, o Cruzeiro, sendo que ele já apresentava mostras de que não conseguiria controlar o mal da inflação. Esse mal tinha acumulado, de 1965 até 1994, (data no início efetivo do Plano Real), 1,1 quatrilhão por cento. Itamar Franco, Vice Presidente de Fernando Collor de 1990 até1992, assumiu a presidência depois do impeachment de Collor. Foi no seu governo que o Plano Real começou a ser projetado. Fernando Henrique, então Ministro da Fazenda, junto a uma equipe de economistas foram os responsáveis por planejar o Real. A equipe era formada por: Persio Arida, André Lara Resende , Gustavo Franco, Edmar Bacha, Clóvis Carvalho, Winston Fritsch e Pedro Malan e outros.

O programa foi além das outras tentativas de controle da situação econômica e usou medidas na área da economia e da política. Prova disso foi que Itamar Franco deu total liberdade de atuação para Fernando Henrique. O Ministro era, de certa forma, o mais forte dentro de sua equipe. Uma das primeiras medidas tomadas para a transição do Cruzeiro para o Real seria a criação de uma “nova moeda” o Cruzeiro Real. Foi uma moeda de curca circulação: durou de 30 de junho de 1993 até 1994. Essa troca foi uma medida, de efeito imediato, para controlar a inflação. Como nos outros modelos, a cada mil unidade de valor da moeda antiga (Cruzeiro) se trocava por uma unidade da nova moeda nova (Cruzeiro Real). Ou seja, 1.000 Cruzeiro = 1 Cruzeiro Real.

No início de 1994, mais precisamente em 28 de fevereiro, começou a publicação da Unidade Real de Valor (URV). Era uma espécie de moeda escritural, ou seja: uma forma de fazer a conversão de transações econômicas da velha, para os novos valores. Foi uma medida que, diferente dos outros planos, não forçou a conversão imediata. Ocorreu a chamada desindexação econômica: não foram feitas conversões automaticamente e sim progressivamente. Isso foi muito importante para que o plano desse certo já que, a indexação automática pode motivar a inflação num futuro próximo, como aconteceu, por exemplo, com o Cruzado.

Outras medidas foram muito importantes para que o Real fosse, de fato uma solução real. O corte nos gastos públicos, dura fiscalização de bancos estaduais, mais facilidade para importações, aumento nas taxas básicas de juros, privatizações e, claro, a imposição de uma nova moeda, foram algumas dessas ações que tornaram possível o sucesso do Real.

Outra medida de muito valor para o nascimento do Real foi a criação do Fundo Social de Emergência (FSE), que fazia com que algumas verbas não fossem direcionadas para a conta da União, mas sim para esse fundo. Tendo o fundo como “válvula de escape” era possível cortar gastos públicos já que, o grande valor gasto pelo governo era um dos fatores causadores da inflação.

O lançamento da nova moeda, o Real, aconteceu em 1º de julho de 1994. Dessa vez não usaria a proporção “1000 para 1”, mas sim a proporção de cada Real equivaler 2.750 Cruzeiros. Com a prévia atuação da URV, a nova moeda não encontrou muitas dificuldades para circular sem causar dúvidas nos brasileiros. A troca de notas de Cruzeiro Real para o Real foi em tempo recorde mundial: enquanto todos os países do mundo levaram mais de um ano para realizar, de forma completa essa troca, o Real levou em torno de 6 meses para estar em plena circulação. Logo no primeiro mês da nova moeda foi notada uma significativa queda na inflação brasileira: um mês antes do lançamento do Real ( Junho-94) foi registrado 46,58% de inflação e em julho, quando lançado o Real, a inflação foi de 6,08%.

O sucesso do Plano Real contra a inflação estava evidente, o que acarretou na candidatura de Fernando Henrique Cardoso à Presidência em 1994. Ao longo dos anos, foram feitos outros ajustes para que o Real se mantivesse estável e, apesar de ter sofrido com algumas crises econômicas mundias, se tornou o plano econômico mais bem sucedido na história do Brasil.

Casa da Moeda

A Casa da Moeda do Brasil foi criada em 8 de março do ano de 1694, para que pudessem ser feitas moedas com os metais retirados da mineração, atividade bastante explorada na época. Foi fundada em Salvador (então capital do país e atualmente uma das capitais brasileiras, mas na época era uma colônia) por pessoas do governo português. É uma instituição pública e sua criação foi muito importante porque o Brasil passava por crescimento das atividades econômicas internas e, por isso, pedia uma maior organização monetária.

A forma de organização monetária do Brasil, antes da casa da moeda, não era suficiente para aguentar essa ascensão econômica. O comércio era menor e não exigia grande complexidade. As moedas ainda não eram unificadas, tendo várias em circulação. O Maranhão, por exemplo, chegou a ter sua própria moeda, enquanto outros estados tinham outras. A forma mais comum de se realizar compras, na época, era por meio do escambo (troca de uma mercadoria por outra). Muitos trabalhadores recebiam seu salário em mercadorias, para serem trocadas por outros produtos. O açúcar chegou a ser medida padrão para definição de valores. Todo esse cenário estava formado quando a Casa da Moeda do Brasil foi criada. O comercio já começava a ficar confuso, pedindo uma organização maior.

Tendo muitas moedas diferentes no Brasil a primeira fase de atuação da Casa da Moeda foi ir trocando, progressivamente, essas muitas moedas por uma única, que seria o padrão de moedas usadas no país. As moedas que seriam de uso comum no país seriam moedas de ouro cunhadas no próprio Brasil, na Casa Da Moeda. Eram do valor de 4.000, 2.000, 1.000 (moedas de ouro), 640, 320, 160, 80, 40, 20 réis ( moedas de prata). Essas moedas de prata ficaram conhecidas também como as “patacas”. Depois vieram as cédulas e selos, sendo que, o primeiro selo feito ela Casa da Moeda no Brasil foi o “Olho de Boi”, primeiro selo postal do país. O selo colocou o Brasil como o terceiro país a fabricar seu próprio selo postal. Antes, só Suíça e Inglaterra tinham feito o mesmo.

O tempo foi passando e a economia, como os outros aspectos do país, foram desenvolvendo. Com isso a Casa da Moeda também foi analisando a necessidade de seu crescimento. Ela foi transferida para segunda capital do Brasil (Rio de Janeiro) , tendo seu novo prédio sido inaugurado em 1868. Atualmente a Casa da Moeda está localizada ainda no Rio de Janeiro, mas com modificações feitas entre 1964 a 1969. Essas modificações, melhorando a estrutura da instituição, foram feitas para se alcançar um objetivo do governo brasileiro da época: ter a autosuficiência em produção do meio circulante. No mesmo ano do término dos ajustes, 1969, a meta de produção já estava batida. Com o sucesso de alcançar esse nível de produção, foram lançadas cinco diferentes cédulas em circulação no Brasil e produzidas totalmente por aqui.

O atual local da Casa da Moeda foi inaugurado em 1984 e é uma das maiores instalações, nesse gênero, de todo mundo. Um nome que faz parte dessa instituição é José Berlinque, primeiro cunhador da Casa, sendo nomeado em 6 de maio de 1964. No mesmo ano, ele foi substituído por Domingos Ferreira de Azambuja, baiano que trabalhava como ourives.